Fiquei sem-teto por seis meses em 2011. Eu dormi no meu carro. Eu costumava estacionar atrás de uma pequena igreja porque era escuro e silencioso. Achei que ninguém sabia que eu estava lá. Todas as manhãs, eu acordava, dirigia até um posto de gasolina para lavar o rosto e ia trabalhar (sim, eu tinha um emprego, só não podia pagar o aluguel). Numa noite, estava congelando. 10 graus. Meu carro não ligava o aquecedor. Eu tremia tanto que meus dentes doíam. Vi a porta dos fundos da igreja aberta. Um zelador veio jogar o lixo fora. Ele viu meu carro. Ele me viu encolhido no banco da frente. Ele não chamou a polícia. Ele não veio bater na janela. Ele apenas voltou até a porta, destrancou e a apoiou aberta com uma pequena pedra. Então ele acendeu a luz do corredor e saiu. Esperei dez minutos. Então corri para dentro. Estava quente. Havia um sofá no saguão. Havia um banheiro com água quente. Dormi lá todas as noites pelo resto do inverno. Todas as noites, a pedra estava lá. Nunca conheci o zelador. Eu nunca agradeci a ele. Já estou de pé de novo. Eu tenho uma casa. Eu tenho uma cama. Mas todo ano, na primeira neve, doo um cheque para essa igreja. Eu escrevo "Para a conta de aquecimento" na linha do memorando. Às vezes, a forma mais barulhenta de amar o próximo é não dizer nada. Anônimo